Ingredientes:
1 Kg de lombo de
porco
1 farinheira
Vinho branco
1 cebola
5 dentes de alho
Alecrim
Louro
Sal de ervas
Pimenta preta
Azeite
Preparação:
Há várias formas de confecionar o lombo de porco no forno. Aqui vai a minha receita que repito regularmente na Toca da Lebre. Com a ajuda de uma faca grande, deve começar por perfurar, ao centro e na longitudinal do lombo, um orifício que possibilite a colocação da farinheira. Não tenho por hábito abrir pela lateral o lombo. Isso evita que a farinheira se escape do interior da carne. Retire a pele à farinheira e coloque-a no interior do lombo. Deixe-o marinar, pelo menos duas horas, no vinho branco, alho picado, pimenta preta, louro, alecrim e sal de ervas a gosto. Coloque num tabuleiro alguns ramos de alecrim a fazer de cama. A ideia é a carne não estar em constante contacto com o molho e que asse em vez de cozer. Pique uma cebola e coloque sobre o alecrim. Adicione, de seguida, um pouco da marinada e finalmente o lombo. Regue a carne com um pouco de azeite. Leve ao forno, previamente aquecido, a 180 graus. Deverá virar regularmente a carne e regá-la constantemente com o molho. Poderá ter como acompanhamento umas batatinhas assadas junto ao lombo. É divinal, pois a farinheira evita que a carne fique muito seca.
História:
A Relíquia
Eça de Queirós é conhecido por abordar, nas suas obras,
temas marcantes do quotidiano social do século XIX. O escritor foi o principal
representante do Realismo português. As suas prosas são repletas de ironia, humor
e crítica social. Quase nada escapava a Eça. Apesar de muitos o considerarem um
antipatriota, eu sempre achei que ele era precisamente o contrário: um
pró-pátria. A sua crítica acutilante era apenas para ajudar a tentar mudar os
males que minavam (e minam) a sociedade portuguesa. Como diplomata que foi, o
autor conhecia outras realidades bem mais agradáveis e gostava que a sua Pátria
fosse assim. Paris, onde viveu, é disso exemplo. “O Crime do Padre Amaro”, “O
Primo Basílio”, “Os Maias” e "A Relíquia" são alguns dos livros onde Eça
foi mais sarcástico em relação a algumas classes sociais da época.
Seja como for, nunca esqueceu a sua gastronomia. N´A
Relíquia, obra publicada em 1887, Eça de Queirós resolve destacar o lombo
assado. A palavra surge uma única vez:
“(...) Servira-se o lombo assado; e
houve, por sobre os pratos, um recolhimento reverente a esta evocação da terra
sagrada onde padeceu o Senhor. Eu parecia-me ver lá muito longe, na Arábia, ao
fim de arquejantes dias de jornada sobre o dorso de um camelo, um montão de
ruínas em torno de uma cruz; um rio sinistro corre ao lado entre oliveiras; o
céu arqueia-se mudo e triste como a abóbada de um túmulo. Assim devia ser
Jerusalém. (...)”
Os Maias
O lombo de porco que tanto Eça gostava
surge também referido n´Os Maias. Aparece uma única vez, mais para o final da
obra, numa abordagem ao excêntrico João da Ega, amigo e confidente de Carlos da
Maia:
“(...) Ega acendeu o charuto, ficou um
momento considerando aqueles sujeitos que pasmavam para o verbo do Neves. Eram
decerto deputados que a crise arrastara a Lisboa, arrancara á quietação das vilas
e das quintas. O mais novo parecia um pote, vestido de casimira fina, com uma
enorme face a estourar de sangue, jocundo, crasso, lembrando ares sadios e
lombo de porco (...)”.

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