João Rodrigo
Piteira Dordio nasceu a 03 de Abril de 1970, em Évora, e reside no Seixal.
Divorciado, pai de dois filhos, é Agente Principal da PSP e presta serviço há
cerca de 20 anos no Corpo de Intervenção, pertencente à Unidade Especial de
Polícia.
Autodidata,
com formação académica em Sociologia e História, complementa a sua área
profissional com pesquisa e investigação sobre aquilo que gosta de definir como
“o outro lado da História”, vulgarmente rotulada de “teorias da conspiração”.
Desloca-se com alguma frequência a escolas, bibliotecas e associações para a
realização de palestras sobre este assunto.
Apesar de
escrever há muitos anos, “O Suspiro de Odin” (Chiado Editora, 2016) foi o seu
primeiro livro.
Participou em
diversas Antologias e Coletâneas, assim como em programas radiofónicos de
poesia. Tem atualmente uma rubrica mensal (“O Cocas Veste Prada”) no programa A
Essência das Palavras, de Alfredo Batista na Alternativa Radio.
Prefaciou e
posfaciou diversas obras e já viu a sua poesia ser premiada algumas vezes.
Participou,
em parceria com a artista plástica Carla Palhinha, na exposição “Um Poema é Uma
Pintura Com Voz, Um Pintura é Um Poema Sem Voz”, um projeto inovador em que se
pretendia conciliar a pintura com a poesia e a escrita criativa (os quadros da
artista eram “legendados” com passagens do seu primeiro livro, “O Suspiro de
Odin”).
Editou em
abril de 2018 o seu segundo livro, “Não Faças Barulho. Fui Ali Gritar Que te
Amava” (Emporium Editora).
É coordenador
literário da Coleção Poiesis e da Coleção Dordiana, ambas com a chancela da
In-Finita.
Como e quando começou a interessar-se por
literatura?
Desde muito
pequeno que adoro ler. O meu pai costumava trazer-me livros de banda desenhada
de uma banca que havia em Cacilhas. E se primeiro foram esses livros de banda desenhada,
depois foi tudo o resto. Devorava livros atrás de livros! Especialmente de
suspense e terror. Mas também os Clássicos. Depois, chegou a Poesia…
Sempre fui
uma pessoa muito solitária. E a literatura foi quase sempre o meu refúgio. A
minha imaginação levava-me a entrar numa forma muito mais absorvente fosse qual
fosse o argumento. Os meus voos começaram por aí…
De leitor
quase obsessivo passei facilmente a escritor igualmente obsessivo. Inicialmente
a minha forma de escrita pouco ou nada tinha a ver com aquilo que escrevo hoje.
Muito depressiva e melancólica, relacionada essencialmente com a minha forma de
ser e de estar da época onde a falta de autoestima era imensa. A maioria das
pessoas não acredita que eu, um dia já fui assim, mas é a verdade.
O que mais o atrai quando escreve?
Atrai-me a
possibilidade de transportar e transformar a Paixão em letras corridas e
aconchegadas. O sentimento intenso e, por vezes, até sufocante transformado em
texto corrido é aquilo que mais gosto de trabalhar.
Provavelmente
porque queria deixar em papel aquilo que a mente me “obrigava” a escrever e
isso teria que ficar, de alguma forma, fisicamente eternizado. A partilha
virtual ajuda, mas não é suficiente.
Tenho três
livros a solo e cerca de vinte obras coletivas. O último talvez tenha sido o
que mais tenha gostado de escrever porque é onde me enquadro melhor, ou seja, a
Prosa Poética. O primeiro (e o primeiro… é sempre o primeiro!) também é, mas
tem uma história muito própria por trás que talvez não tenha conseguido
explorar completamente. O segundo (de poesia, mas de “verso livre” e com
algumas passagens de prosa) acaba por ser uma continuação do primeiro, mas com
versos isolados. O último, definitivamente, foi aquele que mais prazer me deu.
Inspiro-me na
Paixão. Vivida, sonhada ou idealizada. Mas aquilo que escrevo tem que estar
sempre relacionado com ela. É o meu tema de eleição.
Não tenho
particularmente nenhum momento em que escreva ou sinta necessidade de parar
para o fazer. Qualquer acontecimento, até um comentário ou uma fotografia, pode
ser um fator que despolete a inspiração. Porém, raramente me deito e adormeço sem
que escreva alguma coisa antes. Mas não é nada forçado e nem considero que isso
possa ser uma rotina.
Eu chamo-lhe
“voo”. Um voo interior. Como escrevi uma vez, o Poeta é aquele que se veste de
letras a andar por fora a voar por dentro. E é essa a sensação que tenho. A de
algo que me leva a viajar de uma forma completamente diferente.
Quais são as suas referências
literárias?
Fui muito
influenciado por António Nobre e por Fernando Pessoa nos meus primeiros
encontros com a literatura. No entanto, acabam por ser outras figuras que gosto
de realçar na visão e perceção que passei a ter do mundo. David Icke, Wayne
Dyer, Alan Watts, até o próprio Osho… Quando mudamos a forma de ver o mundo, o
mundo também muda. Mas isso são outras conversas de alguém que também adora
ler, investigar e fazer o cruzamento da informação e partilhar em conversas,
palestras e apresentações públicas “do outro lado da História”, aquilo que
muita gente denomina de “teorias da conspiração”.
Como vê o mundo atual da literatura em
Portugal?
Procuro ver
sempre o lado bom. As coisas boas, os projetos que possam trazer algo de
inovador e que possam melhorar de alguma forma o panorama da literatura em
Portugal. No entanto… Quem tem dinheiro consegue editar sempre, com maior ou
menor qualidade, não interessa. Há um leque considerável de editoras que não
estabelecem quaisquer padrões mínimos de qualidade e até revisão. Como dizia
Saramago, “somos todos escritores, mas uns escrevem, outros não”. A forma
frontal e genuína como denuncio certas situações confunde-se com arrogância,
mas sem o ser. E isso já me deixou várias vezes numa situação desconfortável.
Mesmo assim, não me irei calar nunca! Das “antologias e coletâneas” que são a
“galinha dos ovos de ouro” para muitos, dos textos supostamente “selecionados”,
das editoras que não pagam direitos de autor ou pagam passados anos, da
percentagem vergonhosa para os autores… Por vezes, por mais que nos foquemos
nas coisas boas, é complicado. Porque os próprios autores não se unem e
preferem entrar em jogos de ciúmes, invejas, ofensas, mentiras e manipulações,
e raramente caminham de mãos dadas. Há demasiados “pavões” e demasiados
elitismos, grupos e grupinhos, que pouco mais fazem do que alimentar intrigas e
até difamações. E vou ficar por aqui…
Uma palavra
de apreço para a Emporium Editora e para a In-Finita. A primeira é uma jovem
editora que apoia bastante os seus autores, tendo inclusivamente uma parceria
com a Rota do Livro que permite dar a conhecer as obras dos autores de norte a
sul do país nos mais variados eventos literários. A segunda não é uma editora,
mas sim uma “prestadora de serviços” que faz a denominada “assessoria
literária”, ajudando os autores na edição do livro. É um conceito que veio
abanar toda a realidade editorial existente uma vez que não há qualquer
investimento inicial para o autor e este recebe imediatamente o valor dos
direitos de autor no dia do lançamento (independentemente do número de
exemplares vendidos dos 50 disponibilizados para o efeito – o restante valor da
venda dos mesmos vai para a In-Finita).
Para quando um novo projeto editorial?
Estou, neste
momento, a coordenar duas coleções sob a chancela da In-Finita. Uma de Poesia
(Coleção POIESIS) que já vai a caminho do sétimo volume; e outra de Prosa
Poética (cujo “numero zero” foi lançado no final de Janeiro com o meu livro “A
Paixão – Escritos e Demências”). Para 2020 estou a contar lançar e coordenar
outra coleção e também mais um livro a solo, livro esse que já está a ser
escrito desde 2016.
Agora que já conhece a revista Livros
& Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?
É sempre uma excelente ferramenta de divulgação e promoção
dos autores que têm sempre muitas dificuldades em se fazerem ouvir, dar a
conhecer e promover os seus trabalhos.
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