À data usufruo da liberdade de poder escrever, livremente e sem rasura de censura prévia, as palavras que procuro que cheguem até si, leitor(a), e nessa distância entre nós inscreve-se em cada quatro vítimas de crimes de violência doméstica, três serem mulheres
A esmagadora maioria das tarefas domésticas e de cuidado dos filhos estarem a cargo de mulheres, e é a mulher que se encontra em desvantagem salarial ao desempenhar a mesma função que o homem, o que faz com que nós, mulheres, estejamos mais expostas a partir da maioridade ao risco de pobreza material.
À data de 1972, aquando da publicação da obra “Novas Cartas Portuguesas“, a circunstância nacional que separava quem escrevia e quem lia era, certamente, distinta, e muito porventura em função da sua própria inscrição, sentirá essa distinção como uma evolução conquistada ou uma enorme frustração do ainda a conquistar.
Em qualquer uma das disposições do espírito, o caminho faz-se, tal qual as Cartas.
Para o exercício de conceber a distinção entre o nosso tempo e o tempo das “Novas Cartas Portuguesas” damos mãos às realizadoras Luísa Sequeira e Luísa Marinho, e escutamos atentamente (a única e para sempre) Ana Luísa Amaral, a fim de descobrir “O que Podem as Palavras” (2022) criadas por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, e Maria (de Fátima) Velho da Costa.
In Cinema 7ª Arte / Maria Inês Gomes
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