O romance japonês centenário “Kokoro”, de Natsume Soseki, considerado “uma obra-prima”, sobre humanismo, amizade e relações familiares, que combina a visão do Japão moderno com a delicadeza da cultura ancestral japonesa, é pela primeira vez publicado em Portugal.

“Este é o mais emblemático romance de um dos mais importantes autores japoneses dos últimos dois séculos, uma história que ilumina a amizade como o sentimento mais profundo da vida”, afirma a editora.

O título significa “coração”, mas na obra assume diversas ‘nuances’, como afeto, espírito, determinação, coragem ou sentimento, e centra-se em duas personagens: um rapaz, de quem não se conhece o nome, que procura dar sentido à sua existência e perceber o que o rodeia, enquanto dá os primeiros passos na vida adulta, e um ancião, que é apresentado como Mestre e que é um mentor para o jovem.

A história passa-se no Japão do início do século XX, época em que se avizinham grandes mudanças no país. O Mestre está há muito exilado do mundo, mas vê no ingénuo e jovem discípulo alguém a quem confiar as memórias e os segredos que lançaram uma larga sombra de culpa sobre a sua vida.

Esta história de amizade entre os dois protagonistas “espelha, subtil e poeticamente, o abismo entre duas gerações que representam, elas mesmas, o desvanecer de um tempo e o nascimento de uma nova era”, segundo a editora.

O Mestre está tomado pela angústia e paralisado pela inação, e o jovem idealista luta por conseguir compreendê-lo, algo que só poderá acontecer quando a morte do imperador Meiji abrir portas para a chegada de um novo Japão.

Descrito no prefácio, pelo filósofo japonês Tanikawa Tetsuzo (1895-1989), como um “romance do género psicológico”, “Kokoro” está dividido em três partes.

Na primeira, intitulada “O Mestre e eu”, o “eu” do romance, que é o jovem estudante, encontra aquele a quem doravante chamará Mestre e cujo encanto enigmático o atrai, levando-o à procura de desvendar o seu segredo, conduzindo gradualmente o leitor ao cerne da trama.