João Luís Barreto Guimarães, médico-poeta vencedor do Prémio Pessoa: “É para a poesia que os governantes se voltam quando o mundo falha”.
Médico do Porto e autor de livros de poesia, distinguido em 2022 com o prémio do Expresso apoiado pela CGD, evocou “a Europa das tragédias dolorosamente recorrentes como a invasão de Putin, que os poetas recolhem em estilhaços, pensamentos e ruínas".
João Luís Barreto Guimarães, médico e escritor de poesia - tal como Miguel Torga - recebeu esta segunda-feira o Prémio Pessoa 2022, atribuido pelo Expresso e apoiado pela Caixa Geral de Depósitos, em cerimónia que decorreu na Culturgest, em Lisboa, na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
“É da ordem da improbabilidade o facto de me encontrar hoje aqui para aceitar este prémio”, começou por frisar João Luís Barreto de Guimarães no seu discurso, lembrando que “não foram muitas as vezes em que o mesmo [prémio] foi atribuído a um escritor de poemas”, que também é “funcionário de um hospital público”.
Natural do Porto, João Luís Barreto Guimarães, com 55 anos anos, é médico de cirurgia reconstrutiva no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, e assume escrever poemas à mesa de um café após realizar cirurgias plásticas.
Autor de uma obra que inclui 12 livros compilando a sua poesia, publicados em várias línguas, teve a sua primeira obra, Há Violinos na Tribo, publicada em 1989 (aos 22 anos), sendo a última, Aberto Todos os Dias, já de 2023, Entre os vários prémios que já recebeu inclui-se o Willow Run Poetry Book Award 2020, nos EUA, com o seu livro Mediterranean.
João Luís Barreto Guimarães também é responsável por uma inédita cadeira de Introdução à Poesia desde 2021, que faz parte do plano de Mestrado Integrado em Medicina do instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto.
In Expresso / Conceição Antunes
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