Há cinco anos, a professora de Português Zélia Barreto quase tremeu quando, numa visita de estudo ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, uma aluna levantou o braço com uma questão. Na frente do túmulo de Fernando Pessoa, a guia tinha explicado todo o processo de transladação dos restos mortais do poeta, e perguntava agora se alguém tinha alguma pergunta.
"A aluna diz: "sim, eu tenho uma dúvida. Para que é que são aqueles quatro furinhos que estão no túmulo?", recorda à MAGG a professora de 50 anos.
Ninguém tinha reparado naquele pormenor. Os "furinhos", explicou a guia, serviram para inserir as cordas que moveram o túmulo. "Ah, pensei que era para eles respirarem. Como eles são quatro, achei que cada um respirava pelo seu furinho", disse a aluna do 6.º ano.
Como no túmulo estão os nomes dos heterónimos de Fernando Pessoa — Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis —, a aluna achava que repousavam ali quatro cadáveres. E que, por alguma razão, eles ainda precisariam de oxigénio para respirar.
Todos se riram!
In MAGG