“Escrevo deitada a pensar/o quanto amo sonhar/Se querer é
poder/Então vamos acreditar.” Esta é a primeira de seis estrofes do poema de
Joana Gonçalves, publicado recentemente na antologia de poesia contemporânea, “Entre
o Sono e o Sonho”, da Chiado Books.
Ao longo dos 24 versos, em esquema cruzado, verifica-se por
parte da autora um jogo de imagens multifacetadas entre as palavras sonhar,
querer e acreditar.
A estrutura interna do poema está muito bem ligada à
externa. Há um fluir de ideias que transporta o leitor para uma rua sem fim,
pois esta ribatejana, natural de Samora Correia, termina esta sua lírica sem
nenhum sinal de pontuação.
A sua poesia é rica em adjetivação e predomina quase sempre o animismo, a aliteração e a personificação. Verificamos igualmente o uso constante do enjambement, o que transmite uma maior profundidade de campo ao pensamento.
Estamos perante uma espécie de narrativa aberta que possibilita uma interpretação distinta. As estrofes são altamente melódicas e isso percebe-se pelos antecedentes que a autora tem com a escrita. Recorde-se que Joana já escreveu várias letras em estilo hip hop e rap.
Os interessados em ler o poema da autora, sempre podem ir
até à página 594 desta interessante antologia poética.
Joana Gonçalves é filha do jornalista e professor de
literatura Mário Gonçalves (na foto com a autora). É caso para dizer que “filha
de peixe…”


Sem comentários:
Enviar um comentário