Nota Introdutória:
Desde o dia em que visitei Tormes
(Baião), onde está instalada a Fundação Eça de Queirós, fiquei apaixonadíssimo
pelo arroz de favas. É, de facto, divinal. A partir daí, sempre
que posso, confeciono esta iguaria em homenagem a um dos melhores romancistas
portugueses de todos os tempos. E, claro, em honra a quem é um verdadeiro
apreciador deste tipo de cozinhados.
O Arroz de Favas à Eça de Queirós
abre, deste modo, uma nova secção na REVISTA LIVROS & LEITURAS. Oportuno neste que é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2021. Denomina-se
“Receitas Literárias” e pretende trazer aqui algumas receitas ou pratos citados
em livros. Todos eles, serão primeiramente testados no lugar do costume, a Toca
da Lebre, a tertúlia cá de casa. Além da receita, pretendo ainda deixar um
pequeno apontamento literário alusivo a cada repasto. Espero que gostem.
Ingredientes:
Favas
Arroz
Alho
Louro
Sal
Pimenta branca
Azeite
Preparação:
Há várias formas de confecionar este prato, porém os ingredientes não variam muito. Usei uma das minhas panelas de barro. O arroz fica com muito mais sabor. Começo por picar um dente de alho, adiciono uma folha de louro e passo a refogar tudo num pouco de azeite. Logo que o alho começa a alourar, adiciono o arroz (Carolino) e misturo bem. Envolver os bagos de arroz no azeite torna-o mais solto. Adiciono a água quente (dois copos e meio por cada dose de arroz), junto as favas a gosto (compro congeladas que são muito boas), tempero com sal e pimenta a gosto e mexo. 15 minutos depois é de chorar por mais.
História:
É do conhecimento geral os altos
conhecimentos culinários de Eça de Queirós. Ele foi de facto um grande
apaixonado pela gastronomia. Creio que ainda não houve nenhum romance
queirosiano que tivesse lido onde não aparecesse a alusão a algum prato.
A mediatização deste Arroz de Favas
(ou de fava com dizia também Jacinto) deve-se precisamente a Jacinto, personagem de “A
Cidade e as Serras”. Chegado a Tormes, vindo de Paris, tinha à sua espera “uma
travessa a transbordar de arroz de favas”. Apesar de estar com os olhos numa sopeira, “a
rija rapariga de peitos trementes”, que iria servir o “pitéu”, Jacinto acabou
por ficar rendido: “Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia”. E ele que
em Paris não gostava de favas: “Deste arroz com fava nem em Paris”.

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