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sábado, 26 de agosto de 2023

Pedro Sobral e o futuro da edição de livros

Pedro Sobral, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), antecipa à FNAC a primeira edição do encontro internacional Book 2.0, que decorrerá a 31 de agosto e 1 de setembro no Picadeiro Real, paredes meias com o Palácio de Belém, em Lisboa. Dois dias de debates e conversas, com convidados de várias áreas, para debater o futuro do livro, da leitura e da educação.  

Como surgiu a ideia deste encontro?  

Já há algum tempo que a APEL estava a tentar encontrar uma forma de criar um espaço de discussão pública, com todos os intervenientes do setor, à volta do futuro da edição e da educação. No ano passado, em conversas com o Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa considerou que isto era um elemento absolutamente necessário para podermos começar a construir índices de leitura e de literacia mais aproximados aos da União Europeia, e sabendo da Festa do Livro em Belém, que o Presidente organiza em conjunto com a APEL, achámos que seria uma ideia feliz associar um ao outro. Isto é, tendo nós, a partir do dia 31 de agosto, a Festa do Livro em Belém, nos Jardins do Palácio -  uma Feira muito centrada nos escritores e escritoras portuguesas - achámos que podíamos ter previamente dois dias de conversa, de discussão e de debate.  

A quem se destina?  

Um dos primeiros objetivos era que este fosse um encontro que tivesse a presença de todos os intervenientes do setor, de escritores a escritoras, de executivos, de pensadores nacionais e internacionais, homens e mulheres, que estão de alguma forma, direta ou indiretamente, ligados aos grandes desafios que o setor enfrenta. Foi a partir de aí que começámos a construir um pouco este programa, que consideramos que está muito feliz.  

O setor enfrenta hoje mais desafios do que no passado, ou a dimensão dos desafios é agora maior? Como a Inteligência Artificial, por exemplo.  

Desde a invenção da rádio que se vaticinou a morte do livro. Depois foi a televisão, depois foi o cinema, depois foram as plataformas de streaming... O que é certo é que o livro continua aqui. Depois declarou-se o óbito do livro em papel, mas nunca se venderam tantos livros em papel como hoje — pelo menos no mundo ocidental, onde temos mais dados. Desde o final do século XIX até hoje, os desafios foram sempre muitos. O que é importante é a forma como olhamos para eles. Se os encararmos como uma ameaça, obviamente que temos muita dificuldade em navegar aquilo que se defronta, mas se olharmos para estes desafios como uma oportunidade, então provavelmente podemos continuar com o livro na base do desenvolvimento de uma sociedade.  

A Inteligência Artificial apresenta uma série de questões. A APEL e a Federação Europeia de Editores, onde estou também no comité executivo, têm trabalhado com a Comissão Europeia para perceber como é que podemos proteger os direitos dos autores, e de que forma. É uma conversa que está a ser tida, mas isso não significa virar as contas às enormes possibilidades que a IA pode trazer ao trabalho do dia-a-dia de um editor. Que pode ir de trabalhos muito invisíveis, como otimizações na área logística, até à tradução de um texto ou aos audiobooks. Já temos audiobooks feitos com essa tecnologia, mais centrados na mensagem do que na qualidade da leitura, com resultados muito meritórios, e que permitem, por exemplo, o acesso de pessoas com deficiência visual a uma série de obras que antes não estavam disponíveis.  

 

E qual o papel dos leitores no Book 2.0 Apel? 

 

Obviamente que os leitores têm de ter um papel fundamental. Como referia antes, o objetivo deste Book 2.0 é ter presentes todos os agentes do setor. Do escritor à escritora, do leitor à leitora. Aliás, vamos ter, em variadíssimos painéis, grandes leitores — como o Paulo Portas, o Anselmo Crespo, o Ministro da Educação e o da Cultura. E na audiência, idem. O evento está aberto a todos os que queiram estar presentes. Neste momento já temos muito poucos lugares, por isso quem quiser ir que se inscreva rapidamente.  

Qual o papel da leitura nos dias de hoje? 

Para nós, APEL, a leitura é essencialmente uma ferramenta crítica. A leitura não é apenas um hábito que nos preenche o tempo, que usamos para entretenimento ou para aumentar o nosso conhecimento. Também o é, mas, acima de tudo, a leitura é a ferramenta básica que nutre a nossa língua, que nos permite conhecer a nós mesmos e transmitir aos outros os nossos sentimentos. Além disso, e igualmente importante, é uma ferramenta que forma um espírito crítico perante a realidade. O que é especialmente importante num momento em que o mundo apresenta uma complexidade difícil de discernir, onde as fake news imperam, onde as teorias da conspiração tornam-se verdadeiras, onde os factos são confundidos com opiniões. Se nós não formos leitores, se não cedermos aos grandes livros, teremos uma enorme dificuldade em conseguir nutrir a nossa língua, de lutar e ginasticar a nossa imaginação e, perante isso, teremos mais dificuldade em perceber qual o nosso papel no mundo (...).

By FNAC CULTURA

terça-feira, 20 de junho de 2023

O Quarto do Bebé

Escrito em grande parte durante o confinamento e a doença, e concluído após uma longa gestação, O Quarto do Bebé é um romance autoficcional em forma de diário íntimo.

Com ecos do universo literário da recentemente nobelizada Annie Ernaux, uma das grandes referências da autora, O Quarto do Bebé é um relato cru e corajoso que revela uma nova e envolvente faceta de Anabela Mota Ribeiro.

sábado, 17 de junho de 2023

Escritora Camilla Läckberg: “Sempre me interessei pelo lado sombrio das histórias”

Conhecida como a rainha do policial nórdico, com mais de 35 milhões de exemplares vendidos, Camilla Läckberg, a autora sueca viva mais lida em todo o mundo, esteve em Portugal. O Cuco, o mais recente livro da série "Os crimes de Fjällbacka”, foi o mote desta conversa com a FNAC. Também se falou do crime perfeito, da Eurovisão e das comparações com Agatha Christie.

A Suécia deve ser dos únicos países com duas rainhas: A Camilla, a rainha dos romances policiais nórdicos, e a Rainha Sílvia da Suécia. Ela é sua fã?

Na verdade, não sei. Penso que já tenha lido algum livro meu, mas nunca ninguém me disse nada. Nunca a conheci. 

Esta foi a sua primeira vez em Portugal. Porque é que demorou tanto tempo?

Sou publicada em 60 países... Não dá para visitar todos.

Quando chegou ao aeroporto de Lisboa, a recebê-la estava um jovem, com um cartaz, que dizia ser o seu fã número um em Portugal. Ficou surpreendida com essa receção?

Fiquei bastante surpreendida. Entretanto, soube que ele também é escritor, que também escreve romances policiais. Foi um gesto encantador, gosto sempre de ser recebida por jovens bonitos no aeroporto [ri-se].

Qual foi a coisa mais estranha que recebeu ou que um fã lhe fez?

Há um fã espanhol que tem o meu nome tatuado no pescoço. Mas ele é bastante simpático, já estive com ele em várias sessões de autógrafos em Madrid. Essa talvez seja a coisa mais estranha vinda de um fã. Nem o meu marido tem uma tatuagem com o meu nome. 

Como é que uma economista acaba a escrever policiais?

Desde criança que sempre sonhei ser escritora, especialmente de livros sobre ficção policial e crime. Só que nunca pensei que tal viesse a ser possível, era algo inatingível, como as estrelas rock. Segui outra profissão até não conseguir aguentar mais, comecei um curso de escrita e 

E agora é uma estrela rock da escrita.

Não me sinto assim, embora às vezes seja tratada como tal. Sou só a mãe de duas crianças pequenas…

E de onde vem esse fascínio pelo mundo do crime?

Não sei. Algumas raparigas interessavam-se por cavalos, eu achava serial killers mais fascinantes. Sempre me interessei pelo lado sombrio das histórias, pelo terror, pelos crimes...

By Revista Cultural FNAC 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Fnac agora também com livros em 2ª mão


O primeiro Espaço Alfarrabista já abriu em Lisboa, e em breve chegará a mais lojas pelo país.

É certo que os portugueses andam a ler mais. Prova é que o mercado livreiro em Portugal cresceu 12.8% em 2022 face ao ano anterior, de acordo com dados da APEL.

A aposta na economia circular em Portugal também é grande. Segundo um estudo da Wallapop, plataforma de compra e venda de produtos, mais de 60% dos portugueses admitiram já terem comprado ou vendido artigos em segunda mão.

O primeiro espaço encontra-se na loja FNAC do Chiado, mas já está prometido que em breve chega às lojas FNAC Santa Catarina, no Porto, e FNAC Oeiras.

A iniciativa está a ser bastante aplaudida pelos clientes, que pedem mais aberturas pelo resto do país.

In APEL / FNAC