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quinta-feira, 18 de julho de 2019

A Árvore Mágica


Esta é a história de um embondeiro que trocou o sono pela imaginação. Durante muitas luas ficava de pétalas abertas a ver os meninos brincarem atrás das borboletas, por entre os ramos de palavras em flor. Até que, por magia, eles desapareceram, entrando no seu coração. 

A imaginação da árvore também trazia chuva à terra, e deixava pasmados bichos e pessoas que contavam os seus feitos de boca em boca, de aldeia em aldeia. Mas após tantas luas de pétalas abertas, o embondeiro murchava de cansaço. 

Como trazer de volta o sono da árvore?, perguntava-se toda a gente… Até que um dia…

terça-feira, 18 de junho de 2019

MemoryBook: O declínio do Império


Os homens cuja história se confunde com a da própria cidade, casam-se, com mulheres que tornam a sua vida num suplício. C. B. Whiting não foi exceção, a sua mulher, Francine, a última matriarca Whiting, dirige com mão de ferro o destino desta cidade.

Um restaurante, Empire Grill, com vista para a avenida que conduz às fábricas agora abandonadas é o centro desta cidade. Miles Roby, um homem simpático e divertido, gere este restaurante na esperança de que um dia venha a ser seu. A mulher trocou-o pelo seu pior cliente, ele vive preocupado com a filha adolescente e um irmão parasita e, como se isto não bastasse, a polícia está de olho nele.

Um romance magnífico, marcado tanto pela veia humorística como por uma visão extremamente humana do Homem nas suas mais diversas imperfeições e fraquezas.

terça-feira, 11 de junho de 2019

MemoryBook: A Estrela e o Rei


Era uma vez, uma estrelinha amarela, amarelinha que brilhava no céu. Um dia, o Rei do Mundo decidiu que a queria só para ele. 

Pulou, subiu a um escadote, e voou num avião... Tanto insistiu, que a conseguiu agarrar nas suas mãos papudas. Mas... as estrelas são mágicas e vão dar uma grande lição ao rei do Mundo.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

Narrativa Poética - Sophia de Mello Breyner Andresen



Num país que era um jardim, onde os rios cantavam a caminho do mar, e onde o céu era de um azul intenso, a poesia era tão natural que parecia existir independente dos seres humanos. Mas uma «Menina» apaixonada pelo mar e por tudo o que existia na natureza quis fazer sua a Poesia, quis ser ela própria a Poesia, vestindo-se de colares de búzios, de corais, de conchas, de estrelas-do-mar. Deu-se então o casamento entre ela e a Poesia, que fez habitar em livros, para crianças e para adultos.

Mas a Poesia, sabia-o ela, com o nome de Sophia, que significa «Sabedoria» na sua origem grega, não é apenas uma questão de palavras e de silêncios… É também uma questão de ética, de Justiça, de intervenção cívica. Poesia, sabia-o ela, e deixou-o escrito na sua vida, como na sua obra, é sermos todos irmãos, no grande mistério do universo e dos deuses que acompanham cada um dos nossos passos.

domingo, 2 de junho de 2019

Narrativa Poética - Padre António Vieira


Uma criança de seis anos é levada a atravessar o Atlântico, rumo ao desconhecido, numa época em que as viagens marítimas eram cheias de perigos, delas podendo facilmente sobrevir naufrágios e a morte. Mas, ao invés do medo, a criança, de nome António, sentiu um profundo fascínio pela travessia do oceano, que lhe serviu de lição para a vida, e para sempre ficariam gravados na sua alma aquele céu, aquelas ondas, aquele infinito que se escondia para além do horizonte. Chegada a terras da Baía, o centro de um Brasil que estava ainda a começar, parecia que o mar se prolongava por terra dentro, tal era a imensidão que os seus olhos podiam observar. Foi com naturalidade que abraçou os caminhos da Fé, que era uma semente que trazia dentro de si à espera de germinar.

Em adulto, António Vieira seria missionário, pregador, político, conselheiro real, diplomata. Um grande poeta chamou-lhe, séculos mais tarde, Imperador da Língua Portuguesa, pela mestria que tinha no uso da palavra e pela profundidade dos seus pensamentos. Sempre do lado dos desfavorecidos, incómodo para a Inquisição, aclamado na Europa, entre reis e rainhas, chamado de «Payassu» (Padre Grande) pelos índios que protegia, jamais consensual, utópico, idealista, visionário, foi até ao fim a criança que, com apenas seis anos, atravessou o Atlântico – mas acrescentou-lhe a sabedoria de adulto e uma experiência de vida que raros conseguem ter.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Narrativa Poética - Machado Assis


Uma criança de seis anos é levada a atravessar o Atlântico, rumo ao desconhecido, numa época em que as viagens marítimas eram cheias de perigos, delas podendo facilmente sobrevir naufrágios e a morte. Mas, ao invés do medo, a criança, de nome António, sentiu um profundo fascínio pela travessia do oceano, que lhe serviu de lição para a vida, e para sempre ficariam gravados na sua alma aquele céu, aquelas ondas, aquele infinito que se escondia para além do horizonte. Chegada a terras da Baía, o centro de um Brasil que estava ainda a começar, parecia que o mar se prolongava por terra dentro, tal era a imensidão que os seus olhos podiam observar. Foi com naturalidade que abraçou os caminhos da Fé, que era uma semente que trazia dentro de si à espera de germinar.

Em adulto, António Vieira seria missionário, pregador, político, conselheiro real, diplomata. Um grande poeta chamou-lhe, séculos mais tarde, Imperador da Língua Portuguesa, pela mestria que tinha no uso da palavra e pela profundidade dos seus pensamentos. Sempre do lado dos desfavorecidos, incómodo para a Inquisição, aclamado na Europa, entre reis e rainhas, chamado de «Payassu» (Padre Grande) pelos índios que protegia, jamais consensual, utópico, idealista, visionário, foi até ao fim a criança que, com apenas seis anos, atravessou o Atlântico – mas acrescentou-lhe a sabedoria de adulto e uma experiência de vida que raros conseguem ter.

domingo, 26 de maio de 2019

Narrativa Poética - Pedro Vaz de Caminha



O pequeno reino de Portugal acabava de mudar a História do mundo com o descobrimento do caminho marítimo para a Índia. Agora havia que consolidar o domínio dos mares, estabelecer pontes firmes com os potentados do Oriente, tomar posse de novas terras a serem «descobertas». Foi nesse sentido que saiu de Belém, rumo a Calecute, a poderosa armada de Pedro Álvares Cabral, levando a bordo o escrivão-mor Pêro Vaz de Caminha, homem íntegro, leal a El-Rei, com o sentido do equilíbrio, imbuído de espírito de missão. 

No Atlântico Sul acha-se uma terra paradisíaca, onde os homens e as mulheres têm uma inocência que espanta os europeus, ainda muito marcados pelo espírito medieval. Cabe a Pêro Vaz de Caminha escrever a Carta a El-Rei D. Manuel sobre o achamento de um novo mundo, a certidão de nascimento do que veio a ser o Brasil, uma grande nação de língua portuguesa. Continuando a armada a sua navegação para Calecute, onde se ia em busca de riquezas inimagináveis, nada mais se poderia comparar à visão do Paraíso, onde diferentes humanidades tinham confraternizado… O que valia mais? O ouro e as especiarias, ou o encontro com o «outro», em estado de «pureza», vulnerável, pronto a ser convertido à mensagem de Cristo? O escrivão-mor da armada de Cabral não tinha dúvidas de que a dignidade humana devia estar à frente da cobiça e da ambição, do espírito de saque que norteava muitos dos seus compatriotas… 


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Narrativa Poética - Fernando Pessoa



Impossível é reduzir o infinito a um simples livro, sobretudo tratando-se de uma obra de pequena dimensão, mas é isso quetenta afzer, com o mínimo de danos possível, o autor deste «Era uma vez... Fernando pessoa.» Num estilo intimista, e em prosa poética, procura chegar-se aos leitores fazendo-os sentirem-se embalados, como se fossem crianças a ouvirem uma história de outro mundo, e de um tempo eterno. Nos génios como Fernando Pessoa, qual é a fronteira entre a realidade e o sonho? Entre o «aquém» e o «além»? 

Plural, desassossegado, criador de mitos, aventureiro do espírito, moderno e antigo, drama em forma de gente, aspurante a super-Camões, porta-voz de mundos insondáveis e esotéricos, astrólogo, o poeta dos heterónimos quis ser tudo de todas as maneiras, como português universal que era. Sobre ele e a sua perpétua busca do Ser, os leitores encontrarão neste pequeno livro uma grande quantidade de informações, que os ajudarão a penetrar na intimidade de um dos grandes génios da literatura mundial de todos os tempos.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

MemoryBook: O Cemitério



Depois de tantos anos, finalmente li "O Cemitério" de Stephen King. Pessoalmente, um dos que mais gostei do mestre King. O livro é de uma carga emocional pesadíssima. 

O fim deixa um pouco a desejar, mas não destoa de uma segunda fase de King, em que os finais eram abruptos, quase forçados, como se o autor tivesse de acabar rapidamente a história. Se isso importa? Um pouco, mas King é um contador de histórias como poucos e perdoa-se a sobremesa sensaborona do final depois da iguaria das páginas anteriores. 

A ler, sem dúvida. 

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Narrativa Poética - José de Alencar



Ainda muito jovem, com olhos de criança, o filho de um importante senador do seu país, um império situado nos trópicos, viajou da terra natal para a Corte, centenas de quilómetros mais a sul. Nos ouvidos levava o nome da sua província, Ceará, que significava na língua dos índios «canto de jandaia». 

Havia de voltar, para resgatar a infância… A viagem foi para ele inesquecível, mostrando-lhe paisagens variadas e exóticas, de fauna e flora exuberantes, que para sempre guardaria no coração. 

Apaixonou-se pelo seu país, há pouco independente e dono do seu destino, e prometeu a si mesmo que havia de eternizar a sua alma, as suas gentes, as suas paisagens, a sua história, no mundo da literatura.

Cresceu e tornou-se um escritor consagrado, o mais conceituado do seu tempo, autor de uma grande variedade de romances, além de jornalista, dramaturgo, poeta, político, advogado, professor. 

Amou como ninguém a sua Pátria, para a qual reclamou uma identidade própria, foi admirado e criticado, entre ele o imperador nasceu uma antipatia mútua, e quando partiu deste mundo, após dar vida a uma galeria infindável de personagens romanescas, levou consigo, a cantar-lhe aos ouvidos, «o canto de jandaia» da sua província natal.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Onde moram as estrelas / Donde viven las estrellas


Lurdes Breda escreveu em Portugal, Alejandra Giordano (Alita) ilustrou na Argentina e a editora Hora de Ler editou também em Portugal. “Onde moram as estrelas” / “Donde viven las estrellas” é uma obra intercultural, bilingue (português/castelhano), escrita em prosa poética, juvenil, constituída por dois contos delicadamente ilustrados, repletos de fantasia, ternura e muita magia. 

“A Maria e a cotovia” e “Sebastião, o fazedor da ilusão” são textos-poema cheios de subjetividade, de mãos dadas com a vida e com um imenso desejo de infinito. E é esse mesmo infinito que, às vezes, sentimos num lugar cá dentro, onde moram as estrelas.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Narrativa Poética - José Saramago



O livro sobre José Saramago era imprescindível à coleção «Mestres da Língua Portuguesa», que tem até ao momento dezassete autores contemplados, de Portugal, do Brasil e dos países africanos lusófonos. Vencedor do Nobel da Literatura, em 1998, José Saramago marcou de forma profunda a literatura portuguesa da segunda metade do século XX e do início do século XXI. 

Quem ler o volume agora saído, com apoio da Prelo editora, design de José Maria Ribeirinho e ilustrações de José Roumier, ficará a conhecer o trajeto do nobelizado desde o nascimento até à morte, com os episódios principais da sua vida e com a menção pormenorizada à sua rica obra literária – isto numa prosa escorreita, viva, que não se limita a «ver» passivamente a viagem existencial do escritor. Igualmente este livro permite a obtenção de informações preciosas sobre o Portugal de antes e de depois do 25 de abril, servindo Saramago de nosso guia através de um período riquíssimo e «muito quente» da nossa História – aquele em que saímos da ditadura para entrar na democracia. 

A primeira apresentação de «José Saramago – Mestres da Língua Portuguesa», será no dia 25 de maio, às 18 horas, na Livraria Barata, em Lisboa, e será feita pelo jornalista e escritor Fernando Dacosta.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Nas Margens do Meu Rio


Os poemas de Cristina Correia relembram brisas e água ondulante. “Os sonhos sempre esvoaçam” em versos brilhantes pelo sol e pela lua. 

Existem laivos de amor suave e silêncios que encantam. A poesia de Cristina Correia deixa um sorriso no rosto e sonhos nas nossas noite.

Nas margens do meu rio, Cristina Correia, editora Garrido Artes Gráficas

Isabel Miguel

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Narrativa Poética - José Craveirinha


Em Moçambique, ex-colónia portuguesa, um menino, ainda bebé, andava às costas da mãe descalça, e recebeu dela as primeiras impressões sensoriais: os sons, os cheiros, as formas, as cores de África. Do pai, ex-emigrante do Algarve, província de Portugal, recebeu depois as palavras da língua do colonizador, o gosto pela cultura universal e pelos livros. Quando cresceu, aquele menino descobriu-se mulato, misturado de duas realidades étnicas e culturais diferentes, e isto para ele foi um segundo nascimento. 

Como resolver o problema da divisão entre a mãe e o pai, que, apesar de tudo, se amavam? Sem dúvida, pondo sobre o papel, em forma de poema, as palavras da mãe ronga a namorarem com as do pai português... E foi assim que nasceu o poeta José Craveirinha, e com ele a consciência de moçambicanidade, que, por seu lado, viria dar lugar à independência de Moçambique. 

Quando partiu deste mundo, ele tinha posto em livro a sua epopeia, que era também a de um país e de um povo que parecia ter saído de dentro dele... E repetia: «Karingana ua Karingana», que significava, na língua do pai, «Era uma vez... era uma vez...»

quarta-feira, 20 de março de 2019

Narrativa Poética - Florbela Espanca


Numa vila cheia de tradição, de um Reino muito antigo, que vivia adormecido sobre grandezas passadas, nasceu, no dia de Nossa Senhora da Conceição, uma menina que viria a tornar-se uma grande poetisa. Estava-se ainda num tempo em que a cultura e a poesia estavam reservadas praticamente apenas aos homens, mas ela ajudou a romper com o preconceito e com as proibições a que as mulheres estavam sujeitas.

Verdadeira Diana, deusa caçadora indomável ligada ao mistério da Lua, teve no irmão, Apeles, uma espécie de deus Apolo, um Sol que lhe iluminou os dias e por quem sempre sentiu uma ligação que estava para além deste mundo. 

Quando o Reino deu lugar à República, continuou ainda o predomínio do poder masculino, mas graças a ela, e ao seu exemplo, já nada seria como dantes. Os deuses chamam mais cedo aqueles que amam, e assim aconteceu com ela, Diana, e com o seu irmão gémeo, Apolo, filhos de deuses antes de o serem de seres mortais. A poesia é realmente eterna, porque é filha da Liberdade.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Narrativa Poética - Eça de Queiroz



Na segunda metade de um século inovador, um país mantinha-se pobre, atrasado, fechado ao mundo, apesar de ter tido um passado glorioso. Foi então que, num canto do pequeno retângulo, que era a sua forma, nasceu aquele que veio a ser um grande escritor, renovador da língua e genial pintor – com traços realistas - dos seus defeitos e das suas fraquezas. 

Graças a ele, o país pôde ver-se retratado, e pôde conhecer-se melhor, aproximando-se, até um certo ponto, do mundo «civilizado».

Mas, compreendeu o escritor ao longo de uma vida muito viajada, e depois de estar a viver no centro da «civilização», que afinal há outros valores para além do progresso, das máquinas, e da ciência – há o mundo do Espírito, que estava bem vivo nas suas raízes. Dirigindo para lá o olhar, já no Inverno da vida, comoveu-se à ideia de que afinal o seu país tinha riquezas, só percetíveis pelo coração, que lhe tinham passado completamente despercebidas.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Enganada duas vezes


Enganada duas vezes (Trompée deux fois) é um romance francês escrito por Anajo, pseudónimo de Joana Gomes, a correspondente em Paris da REVISTA LIVROS & LEITURAS:

Uma dor de amor pode causar grandes transtornos nas nossas vidas, mas uma amizade, às vezes, é ainda mais dramática e muito difícil de superar. 

Deprimida, ofendida, colocada abaixo do chão, ela não podia acreditar: acabara de perceber que era uma mulher enganada! 

O seu mundo acabara de se desmoronar, ao perceber que ela viveu uma mentira que durou 26 anos… Como é que ela foi tao cega e não viu que estava a ser enganada?

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Narrativa Poética - Cesário Verde



Uma cidade antiga, habitada desde os tempos mais remotos, vivia a mirar um rio que corria a seus pés, com fome de mundo e de infinito. Cheia de História, estava ligada às navegações, e confundia-se com os seus símbolos: uma barca e dois corvos. A tudo sobrevivia, tendo-se mesmo erguido, com uma face renovada, sobre os escombros provocados por um violento terramoto e pelo incêndio que se lhe seguira. 

Assolada por um novo terramoto, este mais subtil, o da modernidade e do Progresso, viu nascer no seu seio um poeta que a pintou numa fase decisiva de mudança de um velho para um novo mundo. O poeta, que trouxe a pureza do campo para dentro da Babel «corrompida», acabou por lhe dar uma alma, um rosto, e, quando partiu, ela retribuiu-lhe, edificando-lhe uma estátua onde hoje vão pousar pássaros protetores e mensageiros do além – tal como os corvos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Era Uma Vez...Carlos Drummond de Andrade


Numa cidade do interior de um vasto país nasceu, contra todas as previsões, uma criança, filha de um casal de fazendeiros, que iria pô-la no mapa. Ao nascer, um «anjo torto» disse-lhe: «Vai, Carlos, vai ser gauche na vida», e ele, obedecendo, jamais se ajustou consigo próprio, com os homens, com Deus, com o destino. Ao seu desajuste, contudo, correspondeu uma vasta e prodigiosa obra poética, que mudou a face da literatura do seu país. 

Tendo vivido num século maldito, do irromper da sociedade de consumo e da bomba atómica, fez da poesia uma arma contra a morte e contra o tédio de uma vida burocrática, de funcionário público. Com um apelido de fantasma – Drummond – deu voz ao homem angustiado do seu século, e rasgou novos horizontes no reino da poesia, sem falsos sentimentalismos e sem jamais ceder à hipocrisia social. Porque, como observou, «No meio do caminho tinha uma pedra/tinha uma pedra no meio do caminho».