Joaquim “de Alpiarça “ não era um homem qualquer sobre o disfarce e modo de vida transparente, ocultava-se a sua atividade antifascista, membro ativo de uma organização política.
Os “ferro velho” tinham uma atividade livre, circulavam por todos os lugares, aldeias, vilas e cidade, sem que os implacáveis olhos ativos do regime, e os denunciantes a soldo, lhes adivinhassem manobras subversivas.
Era época de Natal, mas foi mais um dia, mais uma noite de luta pela igualdade e liberdade para Joaquim “de Alpiarça”.
Às quatro da madrugada, num local recondido da charneca ribatejana, uma menina com cerca de 10 anos aguardava, sem medo, na escuridão, junto a uma ombreira velha de um edifício em ruínas, o seu “passador”.
O “Ti Jaquim de Alpiarça” chegou irrepreensivelmente a horas.
“Umas poucas de horas” de viagem e chegariam a Peniche, ao forte de Peniche.
Joaquim estacionou, como sempre, numa ruela onde a penumbra da madrugada ocultava a caminoneta, e a saída da criança.
A criança dirigia-se a um largo em frente ao forte e prisão. À hora certa e combinada, um lenço branco agitava-se numa janela gradeada do presídio.
A criança sorriu aquele era o sinal. Aquele era o “olá “. Aquele era o “Feliz Natal” do seu pai.
Do rosto vivido do “Tí Jaquim”, matreiramente, evadiram-se duas lágrimas.
Um assobio curto como sinal e a criança regressaria à camioneta para ser levada pelo camarada Joaquim “de Alpiarça” ao mesmo local de onde partiu.
Brilhavam já os primeiros raios de luz do dia de Natal.
A criança já estava com a restante família.
Joaquim, refletiu sobre a vida e a época, para muitos pouco festiva. Afinal mesmo na reversa
Subdiretor José João Canavilhas
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