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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Kronikando: A livrólica tem mesmo de regressar à escola

Quase toda a gente já ouviu falar no Bocage. José Maria Barbosa do Bocage. Porém, poucos o associam a uma expressão que ouvimos regularmente: “É pior a emenda do que o soneto”. É verdade, a frase é deste grande poeta português.

Vem isto a propósito da jumenta livrólica que volta a dar uma bazucada nas suas pantufas bolorentas. Depois de ter aprendido com o mestre a distinguir o “demais” do "de mais", para falar apenas deste erro, e de fazer questão de incluir os lexemas, desta vez bem escritos, nos seus textos da web, ex que esta “prof” de meia tigela veio a público e quis dar missa ao padre. 

A sua “aula” de hoje foi sobre pontuação. Numa tentativa indireta de corrigir o mestre, lembra a jumenta que nunca se deve separar o sujeito do verbo com uma vírgula. Até tem algum fundamento, mas, como não há regra sem exceção, a limitada livrólica esqueceu-se deste clássico da gramática e vai de arremessar calhaus.

Então é assim. Não sei se conheces a melhor gramática portuguesa? Ou pelo menos o seu nome. É a dos linguistas Celso Cunha e Lindlay Cintra. Foi, é e será a minha bíblia. E a tua, qual é? A páginas tantas, pode ler-se o seguinte: “use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase…”.

Exemplos:

Algures por cá (lugar), a jumenta tem mesmo de regressar à escola;

Na travessa (lugar), coloca um clarinete e sopra, profusamente (modo);

Amanhã (tempo), dou-te mais umas aulinhas, minha alfarroba.

Meu Deus. Ai da escola, dos alunos ou encarregados de educação que tiverem de levar com este cromo!

A acompanhar a sua burra e absurda retórica tem estado a sua parceira de ócio. A madame, hoje, voltou a dormir. Anda sempre muito cansada. Acho que já nasceu assim. Ou então é do excesso de peso nas canetas… Desta vez, dormiu à sombra de uma alfarrobeira. Alfarrobeira? Por que será?

Gostaram? Não?! Olhem que várias centenas de leitores estão a adorar as vossas loucas aventuras!...

Mário Gonçalves

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Kronikando: Juntaram-se as duas à esquina a bailar o solidó

A livrólica não se enxerga. Mesmo depois de ter engolido dois valentes cartões vermelhos em direto e quase em simultâneo, não aprendeu, e todos os dias vai ao gregório com resmas de parvoíces no seu miserável espaço na web, tentando atingir indiretamente pessoas de bem. Será que consegue? Não creio!!

Não, não é estrábica. Já aqui o disse. Ficou assim depois de ter ido parar ao olho da avenida.

Os seus textos na net são para gargalhar, tal são os patamares que consegue galgar todos os dias… Evolução não faz parte do seu léxico. Ora se mostra altamente solidária com os mais necessitados, mas pedindo a terceiros que ajudem (com as calças do meu avô também eu era homem), ora dá altos pontapés na gramática que até assustam o maldito susto.

A livrólica tinha obrigação de escrever bem, mas não. Bem pelo contrário. A sua escrita e linguagem são altamente limitadas. Ainda não aprendeu, por exemplo, a distinguir o “demais” do “de mais”… É burrinha, e “prontos”. Mas o mais grave é que não sabe. Ai, “coltura”. Tinha obrigação, pelo seu métier, de fazer uso do novo acordo ortográfico. Não o faz e é um direito que tem. Mas agora reparem no altamente bizarro desta jumenta. Numa frase, usa o acordo antigo, noutra, o novo acordo. INÉDITO, cara de pau! “I like banana, because il n´y a pas de caroço”? Já pensaste numa candidatura ao Guiness? Até poderias arranjar aí emprego. Terias, todavia, de ir para a Irlanda do Norte. Sabes porquê? Claro que não! O Dr. Google explica-te!

Mas a livrólica não está só. Tem ao seu lado outro jegue. O melhor: uma jegue! A tal que anuncia ao mundo ter um curso superior, mas que nem uma cadeira conseguiu fazer na universidade. Quer ser aquilo que nunca conseguiu ser por mérito próprio. Então, vamos fazer de conta que sou a DOUTORA jegue. Custa muito marrar nos livros, não custa? É mais fácil cobiçar a vida alheia, não é? Sabes o que dizia o outro? Se tens inveja de mim, trabalha, calona!

O que acontece aos desleixados? Tornam-se incompetentes e deixam de servir a causa com brio. Apesar de tudo, esta jumeta mostra-se indolente, mas as dores causadas pelos sucessivos tombos são gasolina no fogo ardente. Uma dor muito mais dura do que o pontapé que mamou o seu gordinho rabiosque e do saltinho que deu bem para baixo, pois claro! Consta que passava os dias no facebocas… Foi caçada. Nada que fosse difícil, pois trabalhar e evoluir também não é regra com esta madame. Uma donzela de meia tigela que odiava informática, mas depois passou a amar…

Comadres, minhas comadres, “juntaram as duas à esquina, a tocar a concertina e a bailar o solidó”… Os canídeos ladram e a caravana sobe, sobe!!...

Mário Gonçalves

sábado, 3 de abril de 2021

KRONIKANDO: Eternas viagens de uma livrólica


Parecia até, numa primeira análise mais minuciosa, que os seu olhar cor do mar se poderia alienar aos projetos. Aparentava, até, espaço para captar a luz dos instantes. Sacudia os problemas e respirava ideias!… Espremida, até vertia algum suco. Mas, na verdade, era apenas uma sombra da essência.

Julgava-se boa como o pão, contudo, não o era, em nenhum dos redutos. Cada vez que me visitava, a janela entreaberta do gabinete deixava passar um bafo quente, denso, quase sempre asfixiante. Um hálito espesso. Com elevado desânimo, prestes a lançar a toalha de combate ao chão, queixa-se constantemente do parceiro, mormente do seu desabrigo. Desabrigo ou desamparo?? Será que passara fome, a pobre coitada!?... O que quer da vida uma “mulher” que partilha, sistematicamente, com “estranhos” as tentativas de derrube ao seu mais que nada??? Leguminosas? Julga-se que as suas duras contendas se deviam aos seus prolongados serões na academia dos sopros e nas esplanadas da Olá.

Os seus desaires tornavam-na faminta. A sua suave cor de pele, que, nalgumas tardes, aquecera – num encoberto recanto – as superiores mãos, revelaram-se umas “aspas” sem título, tal como, de resto, o seu restante cortiço. Era jumenta, mas nem sempre parva. Percebera o lance e rapidamente açaimou-se. Mesmo assim, a sua esperança da manhã tornou-se frágil. Decadente, q.b!

As singularidades da rapariga ruiva revelaram-se, num abrir e fechar de olhos. Tentou, por isso, sucessivos ensaios toscos e grosseiros de amainar. Sem sucesso. Julgava-se mais importante que as moscas atrás do carro do petróleo.

A livrólica nunca fora uma exímia comunicadora, mas ao seu espelho suplicava-lhe: Dis moi, oui! Uau, como é bom sonhar acordada!... Só isso? Na verdade, andou na mesma escola e até tinha “desformação” superior, mas não tivera os mesmos professores, por isso, nunca seria capaz de ser como a Soberana. Os seus maléficos esforços, apoiados pela sua comadre com a mesma ambição, revelaram-se infrutíferos. Não convenceram o capitão e trambolharam de fronha no tapete.

Inicialmente, parecia apenas convencer pelos seus sistemáticos abalroamentos, cheios de histéricas histórias de vida, que interrompiam os diálogos construtivos em sede de hipotética construção. No encontro que a poderia transportar para mais um dos muitos labores que tivera, embora todos eles submersos em falhados desaires, levou nas suas enodoas mãos um romance que mais parecia o calhau de um castelo medieval. Era um “pormaior” tentar mostrar a sua raça. Importava continuar a viver de ilusões e tentar partilhá-las. Provocar até, quiçá, um balayage, ao bom estilo da capoeira, a quem lhe tentava abrir o postigo de mais uma oportunidade.

Pelas suas parcas aprendizagens, apregoava-se, no bico das suas botinhas sem rasto, uma fidedigna livrólica, com imensas coisas lidas, escritas e até publicadas. Onde? Quando? O quê? No Fastebocas? Em suma, nunca fora grande coisa. Parecia aliás um automóvel com os faróis nos mínimos, a marrar para o chão. Excessivamente limitada?? Claramente!... O seu travão inato só aliviava quando indagava, com a sua tufosa alma, a seara alheia. A escrita não era a sua praia. Só a escrita? Somente ao espelho, imaginava na sua oca cabeça que era brilhante como uma estrela. Estrela? Cadente? E os desejos, teve tempo de os pedir?? Continuava a brigar, só algumas vezes (há que ser incoerente), com o acordo das letras. Quais letras? As que servem para compor os caldos?? Ralhava com a sintaxe e bofeteava, com agressividade, a sua pobre semântica. Não é, “por que”? Não será, “de mais”? Por amor a Deus, “pára”!? Ou será, “para”!?

Já lavaste as mãos antes de ir para a mesa? Pega nos talheres como deve ser!... Não puxes o rabo ao Amendoim, nem as orelhas à Nutella! Bolas!... Não batas no vidro do aquário, a Yoda e o Nodi estão a dormir!…

Pelos caminhos da salvação, sempre quisera voar com as asas chumbadas. Quando tentara nadar no seu mar de lama, apercebera-se que só escamava. E o resto? Barbatanas, houve? Faltava-lhe o mais importante: aquilo que alimenta a locomoção!

O último andar do prédio onde trabalhava fora sujeito a obras. Beschädigt, ficou o elevador que a elevava…Muito mauvais para quem acabara de ser atropelada pelo bibliobus.

Restava à livrólica, a singular donzela sem pasta, arregaçar as calças, atravessar a maléfica cheia e tentar vencer o mar. Infelizmente, nunca conseguira galgar as bem-aventuradas escadas de emergência que a levariam ao cume.

As folhas do outono começaram a cair das despidas árvores. Já sem fauna, perdeu a sombra, deixou de ouvir o cio das árvores e a intimidade das flores. Partira o seu micológico paraíso. Em poucas semanas, e em cima da arquibancada, jaziam duas avermelhadas cartolinas da cor do sangue. O seu! E nada mais!!...

Mário Gonçalves