Conhecer a vida e obra de José Saramago é o convite da exposição "Um escritor de inquietações", que está patente no Edifício da Resinagem e cuja inauguração ocorreu no dia 8 de abril, numa iniciativa do Município da Marinha Grande...
O presidente da Câmara, Aurélio Ferreira, deixou o convite para o público conhecer esta viagem pelo percurso pessoal e literário do Prémio Nobel da Literatura, que foi "uma figura de relevo e memória, com um percurso muito grande e que passou pela Marinha Grande, registando-o no livro Viagem a Portugal“.
A exposição “Um escritor de inquietações” é constituída por vários painéis que, organizados de forma cronológica, contam um pouco da vida e obra de Saramago.
São apresentados cinco núcleos: textos avulsos que pretendem criar curiosidade sobre a exposição; a imagem do escritor vista através da caricatura; bibliografia de Saramago (com livros cedidos por particulares alguns deles autografados, pela livraria Livros & Companhia e pela Biblioteca Municipal da Marinha Grande; a exposição da vida e obra propriamente dita; e outra secção de textos avulsos.
A exposição estará patente até 17 de maio, no Edifício da Resinagem, na Marinha Grande, podendo ser visitada de quarta-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h30. A entrada é gratuita.
Em "O jovem", escritora francesa Annie Ernaux descreve num relato breve a relação amorosa mantida com um homem 30 anos mais novo.
Convocar para a escrita acontecimentos de foro íntimo ou inconfessáveis para a maioria nunca foi obstáculo para Annie Ernaux, como bem o sabem todos quantos já se embrenharam nas páginas dos seus livros.
A diluição de fronteiras entre a realidade e a ficção é mesmo uma das traves-mestras da escrita da Prémio Nobel da Literatura 2022, cuja recente aclamação popular fora de portas só veio conferir justiça a um longo e notável percurso literário.
Se em "O acontecimento", também publicado pela Livros do Brasil, à semelhança de parte substancial da sua obra, Ernaux partilhava com os leitores o drama e as dificuldades por que passou na altura em que fez um aborto clandestino ainda enquanto estudante universitária, "O jovem" oferece-nos outro capítulo autobiográfico impressivo, ainda que de natureza bem distinta.
O princípio orientador em ambos os casos apresenta óbvios pontos de contacto: fazer da própria vida matéria de escrita, como se o objeto de análise pudesse ser afinal qualquer um, tal a forma analítica e rigorosa como se distancia do sucedido.
O teatro O Bando vai ter a estreia de "Nómadas", uma peça com inspiração da escritora Olga Tokarczuk, vencedora do prémio Nobel da Literatura em 2019.
A companhia de teatro O Bando vai estrear “Nómadas”, na próxima quinta-feira, em Vale de Barris, Palmela, uma peça inspirada numa das histórias de “Viagens”, da escritora polaca Olga Tokarczuk, Nobel da Literatura em 2019.
Com encenação e dramaturgia de João Neca, “Nómadas” cruza duas atrizes e público em palco, mais um robot criado especificamente para esta produção pelo departamento de Robótica do Instituto Politécnico da Guarda, para abordar o uso das novas tecnologias e os riscos que transportam em termos de individualidade e liberdade.
Ele foi forçado a lutar na Segunda Guerra Mundial do lado errado – mas depois fez de tudo para que aquele pesadelo jamais se repetisse.
Em luxuosa edição da Carambaia,Às Vezes dá Vontade de Chorar Feito reproduz as cadernetas com as notas de um soldado do exército nazista que se tornaria um dos mais veementes pacifistas do pós-guerra: o escritor alemão Heinrich Böll (1917-1985).
Mesmo na Alemanha, esse material estava inédito em livro até pouco tempo – foi publicado apenas em 2017, com organização de René Böll, filho do autor.
No prefácio, ele conta que o pai “jamais considerou publicar seus diários de guerra, pois eram para ele um documento da história biográfica e, por conseguinte, em seu testamento ele os excluiu de uma publicação”. René conta, porém, que a família optou por descumprir o desejo porque queria “preservar esses diários como um documento para a posteridade, torná-los disponíveis num mundo ainda dominado por guerras”.
E a beleza plástica da edição brasileira apresenta um contraste abrupto com a crueza e brutalidade de seu conteúdo. Com fascinante projeto gráfico de Laura Lotufo, ela reproduz, página por página, os fac-símiles das cadernetas, abarcando o período entre 1943 e 1945 – os diários do começo da guerra foram perdidos.
E foi justamente na época coberta pelas cadernetas que sua participação no conflito tornou-se mais efetiva.
Se antes ele servira essencialmente na Alemanha e na França ocupada, em 1943 Böll foi transferido para o front russo, onde sofreu ferimentos.
Após enfrentar o Exército Vermelho, ele combateu também na Europa Ocidental, caindo prisioneiro em 1945, para ser libertado depois do fim da guerra.
Uma experiência assim marca e modifica qualquer pessoa. No caso específico de Böll, deve-se ainda levar em conta que a produção literária que o tornaria célebre veio depois do conflito, pois ele matriculou-se na Universidade de Colônia aos 21 anos, em abril de 1939.
Böll foi transferido para o front russo, foi preso por dois anos e só saiu da prisão no fim da guerra
Böll mandou um conto para uma revista e começou a trabalhar em um romance, porém, cinco meses depois, em 1º. de setembro do mesmo ano, a Alemanha invadiu a Polônia – e, em outubro, a dois meses de seu 22º aniversário, o jovem foi convocado para lutar na Wehrmacht.
Guerra, casamento, nascimento de filho, morte de mãe: os eventos que definiriam a pessoa pública e privada do escritor ocorreram todos nesse período.
Vencedor, em 1972, do Prémio Nobel da Literatura, segundo a comissão de premiação, “por sua escrita que, através de sua combinação de ampla perspectiva de seu tempo e uma habilidade sensível de caracterização, contribuiu para uma renovação da literatura alemã”, Böll teve várias de suas obras traduzidas para o português.
Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2008, Le Clézio escrevera em 1963 “O Processo de Adão Pollo”, conquistando de imediato o Prémio Renaudot.
Para o autor, “escrever e comunicar é ser capaz de fazer acreditar não importa o quê a não importa quem”.
Nesta obra, utiliza um tema intencionalmente débil e abstracto. Conta-se a história de um homem, Adão Pollo, o primeiro e o último, como o nome indica, mas a um só tempo. Aquele que não sabia se acabara de sair do Exército ou de um asilo psiquiátrico. Aquele cuja loucura ou ânsia por uma experiência extrema o isolam dos outros. Desde a sua ligação a uma jovem no espaço de uma casa abandonada às suas transformações animais, materiais e incognoscíveis, tudo contribuirá para que seja considerado louco. Entre na obra de Le Clézio através deste Roma
Em março, chegam às livrarias dois livros escritos por autores que foram consagrados pelo Prêmio Nobel de Literatura: Escrever é muito perigoso, da polonesa Olga Tokarczuk, e Adeus, meu livro! , do japonês Kenzaburo Oe.
Ambos retratam, cada um ao seu modo, os dilemas da escrita e dos processos criativos, recorrendo a narrativas reais e de ficção.