Enquanto os sinos da Igreja Matriz do Salvador de Sines tangem, clamando pelo povo da beira-mar mais abstraido pelo passar da freca maresia, Tu sorris doce e alegremente a chegada do teu batel que desce e sobe a barra.
Saudades desse Tempo de conservada madeira que arde de calor.
Preparem-se os cestos tecidos de duas asas para verter as saborosas e soculentas sardinhas. É Tempo delas. Saudades!
Vai um sardinhada, de genuinas sardinhas? Regadas com o azeite virgem de oliva da terra? Umas saborosas batatinhas? É Tempo delas. E uns pimentinhos, verdes e vermelhos, bronzeados pelo apelo calmo do quente carvão? Saudades!
O avô António, a avó Antónia e o Pedro descansam, num silêncio silenciado, os cântaros de água fresca que desce tranquilamente a serra. É Tempo de fitar a chegada das sardinhas, nos altifalantes de Vasco da Gama.
Paulatinamente, o Carlitos, rapaz de poucas falas, aproxima-se do azul do mar. O ambiente embriagava o ar que se respirava. O que fora eco quase extinto, aumenta agora junto do senhor José e da dona Lisete, um clamor, cada vez mais alto e reconfortante.
A família observa alguns pescadores autóctones que outrora sacavam ao anzol alguns salmonetes da cor das laranjas Por agora, reproduzem-se no prolongado Atlântico. Há, porquanto, ser hospitaleiro e receber de erguidos braço os brilhantes cardumes de portuguesas sardinhas.
O que é português, não é ótimo. É bótimo!
Tempo é Saudades e Saudades é Tempo!
By Pensamentos Mário Gonçalves
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