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sábado, 20 de maio de 2023

Tenho saudades das sardinhas de Vasco da Gama

Enquanto os sinos da Igreja Matriz do Salvador de Sines tangem, clamando pelo povo da beira-mar mais abstraido pelo passar da freca maresia, Tu sorris doce e alegremente a chegada do teu batel que desce e sobe a barra.

O Tempo entra, majestosamente, na tua baía, enquanto observas, de olhar penetrante e doce, finalmente, a tua embarcação. Afinal, ela foi, explendidamente, erguida de casco para avante e de mastro para Deus, no pulsar do coração do Pinhal de Leiria, pela sábia demanda de Dom Dinis. 

Saudades desse Tempo de conservada madeira que arde de calor.

Preparem-se os cestos tecidos de duas asas para verter as saborosas e soculentas sardinhas. É Tempo delas. Saudades!

Vai um sardinhada, de genuinas sardinhas? Regadas com o azeite virgem de oliva da terra? Umas saborosas batatinhas? É Tempo delas. E uns pimentinhos, verdes e vermelhos, bronzeados pelo apelo calmo do quente carvão? Saudades!

O avô António, a avó Antónia e o Pedro descansam, num silêncio silenciado, os cântaros de água fresca que desce tranquilamente a serra. É Tempo de fitar a chegada das sardinhas, nos altifalantes de Vasco da Gama.

Paulatinamente, o Carlitos, rapaz de poucas falas, aproxima-se do azul do mar. O ambiente embriagava o ar que se respirava. O que fora eco quase extinto, aumenta agora junto do senhor José e da dona Lisete, um clamor, cada vez mais alto e reconfortante.

A família observa alguns pescadores autóctones que outrora sacavam ao anzol alguns salmonetes da cor das laranjas Por agora, reproduzem-se no prolongado Atlântico. Há, porquanto, ser hospitaleiro e receber de erguidos braço os brilhantes cardumes de portuguesas sardinhas. 

O que é português, não é ótimo. É bótimo!

Tempo é Saudades e Saudades é Tempo!

By Pensamentos Mário Gonçalves