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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Sasha Marianna Salzmann

Como se pode ser «belo» — «o rosto, a alma, a roupa, os pensamentos», como diz Tchekov — num país onde reina a repressão e só quem se submete a um regime restritivo consegue sobreviver?

E como poderá esta experiência ser superada quando quem a sofreu não fala dela, nem mesmo depois de emigrar para o Ocidente, nem mesmo com a própria filha?

A autora, diversamente premiada em diferentes contextos e palcos, explica tudo muito bem neste interessante romance.

Em meados dos anos noventa, Lena e Tatiana abandonaram a Ucrânia – uma grávida, outra com a filha pequena – e foram viver para a Alemanha, onde tiveram de começar do zero. Mas Nina e Edi, as raparigas que há muito deixaram de se interessar pelas suas origens, não deixam de perguntar‑se o que verão as mães, com o seu «olhar soviético», quando espreitam pelas cortinas das casas onde hoje vivem. 

Porém, quando se juntam para a festa do 50.º aniversário de Lena, serão forçadas a admitir que, afinal, partilham uma história comum.

Qual será?

Seguindo o percurso de quatro vidas e os vínculos sempre frágeis entre mães e filhas, Sasha Marianna Salzmann relata-nos uma época de mudanças radicais na Ucrânia numa narrativa com imagens poderosas, repleta de empatia e realismo.

O livro foi editado pela LeYa.

Sílvia Fernandes / Diretora-Adjunta

terça-feira, 6 de junho de 2023

Os Resistentes

A Oficina do Livro edita na próxima segunda-feira, 12 de junho, “Os Resistentes”, do major-general Nuno Lemos Pires, um militar com larga experiência no terreno e conhecedor dos conflitos que grassam pelo mundo, que analisa o poder do sacrifício humano, da resistência, no combate ao invasor, da antiguidade passando por Timor-Leste e pela Ucrânia.

Testemunha direta do sofrimento causado pela guerra, mas também da capacidade de abnegação do ser humano em situações-limite.

Nuno Lemos Pires faz uma reflexão sobre o poder das ideias de nação, comunidade e família, enquanto valores defendidos pelos resistentes até às últimas consequências e, em simultâneo, um manifesto contra a indiferença generalizada pelos dramas vividos em guerras distantes.

“Falar do fenómeno da resistência, na atualidade, sustentado, na medida adequada, no passado, e norteado, também na medida do adequado, para o futuro, designadamente para a possibilidade de poder projetar e, por conseguinte, de poder criar reflexões e caminhos foi a ideia deste livro. A tese é a da resistência como ato de família (independentemente de se tratar da genética e/ou da escolhida). Porque sempre assim foi, é e continuará a ser.”

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Artistas Unidos leem poemas de poetas ucranianos em Leiria

Os atores Luís Lucas e Manuel Wiborg, do coletivo Artistas Unidos, estão no dia 25, pelas 11 horas, na Igreja da Pena do Castelo de Leiria, onde vão ler dez poemas de poetas ucranianos da antologia “Quando a primavera chegar – 10 poemas de guerra”.

A antologia inclui poemas escritos nos primeiros meses após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de fevereiro de 2022, que circularam livremente como anexos de correio eletrónico em documentos compostos pela National Translation Month, organização internacional que fomenta a divulgação da tradução literária, e pelo projeto ucraniano independente de cultura e edição Chytomo, indica a Casa Fernando Pessoa, que disponibiliza a descarga eletrónica da obra.

In Casa Fernando Pessoa 


quinta-feira, 13 de abril de 2023

Exposição "Ucrânia Insubmissa", dos jornalistas Cândida Pinto e David Araújo


A refugiada ucraniana Daria Dimitriuk e a professora universitária Sandra Fernandes apresentam "Ucrânia Insubmissa", dos jornalistas da RTP, Cândida Pinto e David Araújo, que reúne, em livro, as muitas histórias e fotos que juntaram nas reportagens que fizeram no país. 

No dia 20 de abril, às 21h00, inaugura também na estação de Metro São Bento, no Porto, a exposição “24.02.2022, o Dia Mais Longo que Nunca Mais Acabou”, que mostra os rostos e as cidades ucranianas, fotografadas por David Araújo, ao longo de vários meses de trabalho na Ucrânia.

Episódios passados na ponte de Irpin, em Kharkiv, no Donbass ou em Kiev. Relatos que acompanham a vida de Ilya que foi soldado, os noivos Anastasia e Vaicheslav que casaram numa paragem da guerra, de Vova, de 12 anos, que sobreviveu para contar uma história em voz ténue, sem verter uma única lágrima.  

“Imprevisível. Foi esta a palavra tantas vezes ouvida no início da invasão russa da Ucrânia e pelo tempo fora. A princípio duvidava. Será que iriamos mesmo entrar numa guerra? Parecia-me impossível que, em 2022, não existissem vias de entendimento suficientes para evitar um conflito de grandes proporções no continente europeu. Estava enganada.

A 24 de fevereiro de 2022 eu e o repórter de imagem David Araújo encontrávamo-nos na cidade de Kiev, alvo prioritário da invasão russa de larga escala. A nossa missão era clara: dar testemunho, apesar de todas as limitações, do que estava a acontecer. Passámos por dias de grande incerteza, silêncio, amargura, medo, exaustão. Às vezes pequenas surpresas, breves alegrias. E depois aquela súbita vertigem de um míssil a mudar o correr das vidas. E os exemplos de resistência e resiliência de um país a ser interrompido e invadido – porém, insubmisso”, escreve Cândida Pinto, na introdução.