O escritor e ex inspetor da Polícia Judiciária, Francisco Moita Flores, foi entrevistado no passado dia 10, na Feira do Livro de Lisboa 2023. O autor de o livros Um Enfarte no Alto do Parque explicou a Pedro Nogueira Simões e Mário Gonçalves a sua situação de "morte súbita", precisamente naquele lugar, cerca de um ano antes. Moita Flores respondeu a diversas perguntas do seu gigantesco mundo literário.
Nada tem a ver com o assunto, mas como é passar pelo processo de quase morte?
Não
sou capaz de lhe responder. Não senti qualquer sinal de pré-morte. Pura e
simplesmente caí para o lado sem qualquer sintoma ou sinal de mal-estar. Só
acordei dez dias depois.
Em que medida esse facto vai
alterar a sua escrita a partir de agora?
Não
sei. Só agora recomecei a escrever, depois do acidente de ‘morte súbita’,
porém, julgo que não terá grande influência naquilo que já é uma longa
carreira.
O que despoletou o seu interesse
pela escrita?
Comecei
a escrever quando ainda era muito jovem. Tornou-se num hábito, depois de uma
paixão que estimulo e quero que me acompanhe o resto dos meus dias.
Em que medida o seu cotidiano ajuda
a escrever?
Aquilo
que me ajuda a escrever são as leituras de outros autores e a memória. A
memória do vivido que reinvento em cada um dos meus romances.
Que impacto teve o lugar onde
nasceu na sua trajetória literária?
Teve
um grande impacto na fome de escrever a preciosa ajuda que tive do meu pai e do
meu antigo professor de Português. Foram decisivos na escolha da escrita como
grande amor da minha vida.
Qual foi a obra que mais gostou de
escrever e porquê?
A
obra de que mais gosto é sempre aquela que, no momento, estou a escrever. Não
tenho saudades daquilo que já foi escrito e publicado.
Como se inspira para escrever um
livro?
Procuro
criar uma história. Depois contá-la bem contada. É mais coisa de transpiração
do que inspiração.
Em que momentos do dia escreve
habitualmente?
Antes
da minha ‘morte súbita’, escrevia regularmente durante a tarde e a noite. Agora
estou a habituar-me a escrever durante a manhã.
Qual o escritor que mais gosta?
Sophia
de Mello Breyner.
Quem já deveria ter sido laureado
com o Prémio Nobel da Literatura?
Não
sei responder a essa pergunta. Vivo polvilhado de referências literárias que
vão da poesia à filosofia, da tragédia até à comédia.
O que está a ler neste momento?
Estou
a ler As Metamorfoses, de Ovídio.
Qual foi o livro que
"mudou" a sua via?
Foram
muitos. Os livros são como as mãos de um pintor. Vão-nos moldando o gosto,
acrescentando prazer, abrem-nos a novos conhecimentos. Somos sempre obras
incompletas porque não temos a capacidade material de ler tudo quanto
gostaríamos de ler.
Houve algum que o fizesse chorar? E
o último que o fizesse rir?
Os
livros, tais como as obras musicais, os filmes, a pintura, têm esse dom quase
místico de nos emocionar. É uma das funções da arte em geral.
Que tipo de livro que gosta de
oferecer como presente?
Vulgarmente
compro livros para os mais novos. Da Alice Vieira, do António Torrado, do
António Mota, da Isabel Alçada. Gosto de estimular os mais novos no prazer da
leitura.
Quais são seus
projetos literários a partir de agora?
Estou
a preparar um romance. Julgo que estará pronto no próximo ano. Depois se verá.
Não tenho projetos a longo prazo.
Os livros em formato digital vão
mesmo substituir os de papel?
Não
sei. A revolução técnico-científica avança com tanta velocidade que não
conseguimos perceber como é que vai ser amanhã. Sei, no que a mim diz respeito,
que leio e continuarei a ler livros em suporte de papel.
Já tem ideias para o seu novo
livro?
Estou
a preparar um romance. Julgo que estará pronto no próximo ano. Depois se verá.
Não tenho projetos a longo prazo.
Agora que já conhece a Revista
Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins
lucrativos.
A
Revista Livros & Leituras é um belo projeto. Desejo-vos as maiores
felicidades.
Pedro
Nogueira Simões e Mário Gonçalves